Me quero de volta!
Quero sentir a felicidade gritando nos meus olhos.
Não consigo mais chorar, não sou assim.
Sou daquelas que batem palma pro sol, mas hj nem a despedida dele da terra me faz arrepiar.
A tristeza nunca foi uma amiga, pelo contrário ela quase nunca aparecia.
A alegria sim era me companheira do amanhecer ao momento de me repousar.
Quero chorar por ouvir Chico.
Quero chorar por sentir o amor da minha amada.
Não consigo mais chorar de dor, de desespero pelo por vir.
Eu não sou assim!
Eu sou a menina que se encanta com um beija flor.
Que sorri de orelha a orelha com uma piada idiota.
Que vê beleza em tudo que toca.
Os momentos que a alegria me veem são todos farmacêuticos ou alucinógenos.
Era pra meu coração estar em festa. Hoje é apenas um órgão que apenas faz a sua função, pulsar pra eu não morrer.
Ficar comigo mesma tem sido pesado demais.
A mulher por quem quero viver uma vida toda está dormindo ao meu lado.
Eu deveria estar admirando sua beleza, sua coragem e seu amor por mim.
Estou eu escrevendo para não surtar, em prantos, ouvindo Ivan Lins.
Já houveram momentos em que ouvir Ivan Lins me enchia o peito de vida.
Agora tem gosto da morte.
Me quero de volta!
Minha impotência me cega, me faz não ver saída.
Justo eu que sempre fui tão decidida, praticidade era meu sobrenome.
Hoje não consigo decidir o que comer no almoço.
Aliás, têm dias que não sei o que é saborear um almoço.
Tudo está xoxo demais.
Se ao menos eu soubesse que nome dar a essa dor. Mas não! É uma incógnita pra mim e eu me perco nas incógnitas.
A pior dor é aquela que não sabemos que nome dar.
Me quero de volta e acho que já me perdi.