terça-feira, 26 de junho de 2012

Só por hoje.

Me encontro em estado de graça. Tenho me amado mais que antes. Tenho andado sorrindo para estranhos. E já nem tenho tido tanto medo do espelho. Já não me julgo tão incapaz como outrora. Os pesadelos desapareceram. E, juntamente com eles, os fantasmas que me assombravam a noite escura. Tenho sido mais feliz. Aliás, muito mais feliz. Radiante, eu diria! Não! Eu não ganhei na mega-sena (infelizmente). Muito menos, encontrei um trabalho que me desse um salário de político. Pelo contrário, minhas faturas dos cartões de crédito nunca estiveram tão altas. O motivo pelo qual ando cantando pelas ruas, achando tudo muito colorido e me deliciando com cada amanhecer, se resume a um sorriso. Sim! Exatamente isso. Um sorriso. Mas, não é um sorriso qualquer. É um sorriso encantador. Desses de fazer você esquecer todos os seus problemas num passe de mágica. "Ela" tem o sorriso mais lindo que já vi. E esse sorriso não me sai do pensamento. E, quanto mais penso nele, mais encantada me torno. E, quanto mais encantada eu fico, mais eu quero tê-lo por perto. É um sorriso viciante. Um misto de inocência e malícia. De menina e mulher. Indescritível. Apaixonante. Enfim, o seu sorriso me faz ser muito melhor do que eu posso ser. E é assim que eu quero que seja. Sempre e só por hoje.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pinel

Me consideram louca, inconsequente e "sem-limites". E, daí? Sinto-me lisonjeada com tais adjetivos. Afinal, imagine a vida sem uma dose - uma dose não, várias doses - de loucura, insensatez ou regrada à limites. Ah!  Verdadeiramente, esse tipo de vida não foi feita para mim. Sou louca, insana, devassa e totalmente "sem-limites". Morro de medo de ser considerada uma pessoa "normal". A normalidade me causa angústia e tédio. Que digam que sou louca. Gritem aos quatro ventos. A loucura é a maior das virtudes! 

terça-feira, 5 de junho de 2012

O outro ser.

Vou cometer um assassinato! Sim! É isso mesmo que você está lendo. Tomei a decisão de matar você. Cansei de ser usada por ti. Cansei de viver a seu bel prazer. Não quero mais obedecer aos seus mandos e desmandos. Sua empáfia me corrói a carne. Quero ser dona da minha própria vida. Passei a noite planejando sua morte. Será lenta e dolorosa. Assim, como foram todos os meus dias ao seu lado. Derramarei muito sangue. Cada gota será proporcional à todas às vezes que me fez chorar. Quero ouvir seus gritos implorando por socorro - em vão - pois, ninguém estará lá para ouvir seus clamores. Também não ouviram os meus, quando sozinha, implorava por piedade. Você, se quer deu ouvidos aos meus lamentos, às minhas horas de solidão. Hoje, decidi colocar um fim a toda essa angústia que me dilacera. A toda essa podridão que me faz não ser eu e, sim, ser sempre você.Você já não mais me domina. Que saco! Cala essa boca imunda! Me deixa tomar as rédias da minha própria vida. Só quero viver. Ser feliz à minha maneira. Nada mais! Merda! Por que estou tentando fingir ser algo que não consigo? Olha só? Você está  aí, rindo da minha cara, não é? Você sabe que não serei capaz de colocar em prática meu plano maquiavélico. Você tem, exatamente, a certeza do quanto é sedutora. Do quão delicioso são seus atos aterrorizantes. E do quanto necessito deles pra sobreviver. Essa angústia é que me mantem viva. Droga! Estava tão decidida. Tinha tudo em mente. Muito bem planejado. Um assassinato frio e doloroso. E agora, nada! Estou aqui, entregue aos seus caprichos. Sou impotente perante sua crueldade. Receio até que ela me seja bastante necessária. Não tenho forças pra lutar contra. Você se apossou de minh'alma. Sou fraca. Um nada, apenas. Tenho somente o corpo. O resto já não mais me pertence. Mas, quer saber? Talvez, essa maneira de me entregar à você, nem seja de toda ruim. Talvez, realmente, não queira te matar.  Não, por não ter forças para tal, mas, simplesmente, pela certeza de que - quando chegar a minha hora de morrer - é você que estará lá para me dar o último "adeus".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Perene.

Procuro um amor calmo e sereno. Desses que a gente sonha desde pequenina. Procuro paz, carinho e atenção. Procuro um amor que me queira como sou - intensa e arisca. Procuro um amor alegre, um amor brincalhão e, talvez, um tanto infantil. Procuro um amor que me acalante a alma e me cante canções de ninar. Quero violetas na janela, bem-ti-vis na varanda e cachorros no pomar. Procuro um amor singelo, frágil, delicado. Que o som macio da sua voz se torne mantra para meus ouvidos. Procuro um amor que se delicie com uma fruta colhida no pé. Que se lambuze chupando manga e que caia na gargalhada por isso. Quero dias de primavera e noites de verão. Procuro um amor que me traga café na cama, nada muito glamoroso - pão com manteiga e chá - e um botão de rosas extraída do nosso jardim. Procuro um amor que saiba apreciar um bom livro, que se encante com Dolores e que compreenda a essência de Clarice. Procuro um amor doce, em tons pastéis, manso. Que  passeie comigo de mãos dadas e não se envergonhe com isso. Procuro um amor que me leve a um parque de diversões para brincarmos num carrossel. E que, depois disso, me compre maça-do-amor e algodão-doce. Procuro um amor que goste de andar descalço pela areia. Que deite comigo numa praça e que fique olhando para o céu, brincando de adivinhar os desenhos formados pelas nuvens. Procuro um amor assim, simples, terno e aconchegante. Quero seu peito para me repousar e seus braços para embalar meus sonhos. Procuro um amor que me construa um chalé de madeira, tudo muito simples. Uma lareira para os dias de inverno e uma rede para as noites de lua cheia. Quero que o som das sirenes e buzinas deem lugar ao cantos dos pássaros e o choro das cigarras. Quero que os holofotes deem lugar ao brilho dos vaga-lumes. E que as avenidas deem lugar aos campos floridos por girassóis. Procuro um amor que goste de água doce, de banho de cachoeira e cheiro de terra molhada. Quero bailar por entre bolhas de sabão. Quero ir de encontro ao arco-iris. Dormir na relva e acordar com os cabelos molhados pelo orvalho da manhã. Procuro um amor assim; simples, sem excessos e luxos, ingênuo. Procuro....Procuro...e, de tanto procurar, temo que ele não mais virá.