quinta-feira, 30 de agosto de 2012

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Às vezes me sinto como um transeunte que vê o que os outros não observam. Que sente o perfume que ninguém exala. Que se mistura à multidão numa rua deserta. Me sinto como um estranho elemento que não vivencia o dia nem a noite, mas que, ao mesmo tempo, transita por ambos. Penso que me conheço, mas a cada momento, me distancio mais de mim, negando assim o legado a que fui destinada.

Nossos outros.

Apesar de vivermos entre muitos, somos sempre solitários neste mundo. Vagamos, titubeamos, choramos, sorrimos e, entre muitos conceitos, descobrimos que nenhum é fruto da verdade. E, assim, acabamos sendo apenas um fenômeno do tempo, que surge e se vai sem que ninguém se importe ou comente. Daí, eu me pergunto: De que vale a fama se o tempo leva. De que vale o reconhecimento se os anos apagam. Pra que tanta luta se a morte é nossa única certeza.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Infância roubada.

Mais uma vez - não! Não agora. Está tudo tão lindo, tão cheio de cores e vida. Vá embora! Estou ordenando! Você já causou estrago demais. Será que não percebe que eu mereço ser feliz? Será que é egoísmo da minha parte querer desfrutar de algo tão bom? Você me roubou o que eu tinha de mais lindo - minha ingenuidade - isto não basta? Tirou de mim o meu melhor momento - minha infância - não está satisfeito? Você era o meu herói. Orgulhava-me de tudo em você. Fiz planos. Tinha sonhos. Me lembro muito bem. Era uma criança tão feliz. Uma felicidade gratuita, sabe? Dessas que, bastava minha mãe chegar com uma bandeja de iogurte para que eu me considerasse a menina mais sortuda desse mundo todo.  Olha! Será que você não enxerga o estrago que você fez em minha vida? Eu era apenas uma criança inocente. Tão inocente a ponto de pensar que "aquilo" era uma coisa natural._ Ah! Com todos devem ser assim. Engano meu. Você deixou de ser meu herói para se transformar no bicho-papão que me assustava nas noites escuras. Todos os sonhos de menina, todas as brincadeiras infantis, aquele brilho no olhar... Tudo se foi. Se foi, não como num passe de mágica, mas sim, como um prédio que desmorona trazendo dor e morte. Você arruinou a minha infância, destruiu todos os meus anseios, acabou com tudo que eu tinha da forma mais cruel possível. Consegue imaginar o tamanho da crueldade que você me fez? Não, né? Você dizia que eu gostava. Que eu era como você. Por tempos, acreditei nisso. Mas, hoje vejo que não. Não sou como você. Você me dá nojo, me embrulha o estômago. É perverso. Cruel. Desumano. Você me usou da forma mais escrota que se possa imaginar. Brincou com a minha fraqueza, com minha incorrigível carência.  Talvez, por isso não conseguia dizer - não. Por isso, cedia às suas chantagens. Eu realmente acreditava que "aquilo" era por amor. Que idiota que eu fui! Me odeio por isso! E, agora? Nesse momento - tão especial - mais uma vez, vem você querendo aniquilar com minha felicidade. Some! Some de uma vez por todas! Me deixa em paz! Será que é pedir muito? Não aguento mais esse tormento. Fiz da minha vida inteira uma eterna mentira, só por medo de perder quem eu amava. Mas, agora não. Não quero mentir! Me cansei! Quero ser livre. Livre para amar e gozar dos prazeres que minha parceira me proporciona. Livre para me entregar aos carinhos, aos beijos e aos desejos da carne. Hoje eu preciso viver. Preciso esquecer toda dor e mágoa que ainda reside em meu peito. Preciso passar uma borracha e apagar todos os malditos capítulos da minha medíocre vida que tive ao seu lado. E, digo: _Você vai sair do meu caminho. Nem que pra isso eu tenha que cometer um assassinato! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Ainda é inverno

Ainda é inverno, mas, meu corpo queima como brasa. Na minha mente um só pensamento - te possuir -. Seu sexo é como um vício. Algo desconsertante. Alucinógeno. Me entorpece. Me doma por inteira. Ah, essa sua forma maliciosa de me encarar despindo meu corpo somente com os olhos! Me julgas muito libidinosa, como não ser? Você me atiça a todo instante. Basta um sorriso, uma mordidinha no canto dos lábios para que eu esteja entregue. Sua sensualidade exala por entre seus poros. Me excito até com sua forma sedutora de tragar o cigarro. Ah, essa sua mania de me dizer coisas profanas ao pé do ouvido! Quando te ouço sinto meu corpo inteiro se arrepiar. Você tem esse dom. O dom de me levar a loucura com um simples toque rente a pele. Basta alguns sussurros para que eu me derreta e me transforme em sua serva. Ah, menina do sorriso doce! Me diga, por que fazes isso comigo? Por que me embriagastes com seu suor? Me diga, vai! Ou melhor, não diga. Mostre! Quero sentir sua saliva na minha boca. Quero que deslize suas mãos sobre as curvas do meu corpo. Quero mordidas em meus mamilos e chupões em meu pescoço. Vem saciar o meu desejo de te possuir. Vem me entorpecer de gozo e luxuria. Vem? Mas, vem logo. Pois, ainda é inverno e meu corpo queima como brasa.