Reuniões, clientes insuportáveis. Não mesmo!
Eu busco essa sensação há 43 anos. Aos meus 10 (dez) um cavalheiro que aparecia de tempo em tempo, sempre com um presente na mão - Jogo de tabuleiro pra mim, boneca pra minha irmã de 7 (sete) - Dizia ele que me resgataria das garras da bruxa má, que me levaria pro cinema, pros teatros contracenados pela bela Fernanda Montenegro. Mal sabia eu que estaria dormindo com o inimigo. Aí de mim!
Continuei acreditando (aquariana nata), aos 16, o primeiro amor, aos 17, minha primeira gravidez. Aí sim tinha chegado a minha vez. Sempre quis ser mãe. Desde criança sinto essa necessidade de gerar pro mundo uma pessoinha com minhas características. Agora já não tinha motivos para procurar a sensação da morte. A sensação de sentir meu filho no colo é indescritível. Maior do que qualquer prazer mortal. Agora existira um ser que eu dependia dele mais que tudo. Ele seria meu porto seguro. Eu poderia ensinar todos os meus ideais esquerdistas e, consequentemente, porque o vei da Havan é um PNC, contar altas histórias de rolê doido que a mãe já fez. Leva-lo pra acampar em Milho Verde explicando da importância da preservação da cultura local, essas paradas que passam na cabeça de uma recém mae tilelê.
Esse momento de "Alice nos País das Maravilhas" durou 3 anos e 9 meses. Logo após disto, algumas pessoas chegaram a conclusão que tirar meu filho de mim seria o melhor a ser feito por ele. Eles estariam elevando o potencial de crescimento para se tornar uma "pessoa de bem"
Ai a gente segue... como toda mulher precisa seguir. Dos "paz na morte". Pra mim, morrer sem paz já era um alívio aos tempos que estava passando.
Ao chegar 33 foram só arranjos e desaranjos. Ate que chega na minha vida uma mulher me fez despertar aquela sensação novamente. Paz, liberdade, "Agora nada pode me atrapalhar viver essa sensação" me viria sentir novamente o prazer da morte.
Muitos levam o prazer da morte como algo sofrido, intenso.E super concordo. Mas pra pessoa que está ⁰partindo pode sim ser um momento de largar as mochilas, tirar o chileno, deitar na grana e fechar os olhos e simplesmente, dormir.
Mas você ainda não está confiante nos meus argumentos. Pode estar perguntando "o prazer da morte deveria ser dolorido pra quem fica e, com certeza, é, mas pra quem vai, não existe paz maior no mundo. O sentimento de dever cumprido. A partir de agora é com vocês, Companheiro. Eu encontrei a paz que eu tanto busquei. Sigo feliz, com aquela gargalhada que alguns tiveram o prazer de compartilhar comigo por aí nas nossas andanças.