Procuro um amor calmo e sereno. Desses que a gente sonha desde pequenina. Procuro paz, carinho e atenção. Procuro um amor que me queira como sou - intensa e arisca. Procuro um amor alegre, um amor brincalhão e, talvez, um tanto infantil. Procuro um amor que me acalante a alma e me cante canções de ninar. Quero violetas na janela, bem-ti-vis na varanda e cachorros no pomar. Procuro um amor singelo, frágil, delicado. Que o som macio da sua voz se torne mantra para meus ouvidos. Procuro um amor que se delicie com uma fruta colhida no pé. Que se lambuze chupando manga e que caia na gargalhada por isso. Quero dias de primavera e noites de verão. Procuro um amor que me traga café na cama, nada muito glamoroso - pão com manteiga e chá - e um botão de rosas extraída do nosso jardim. Procuro um amor que saiba apreciar um bom livro, que se encante com Dolores e que compreenda a essência de Clarice. Procuro um amor doce, em tons pastéis, manso. Que passeie comigo de mãos dadas e não se envergonhe com isso. Procuro um amor que me leve a um parque de diversões para brincarmos num carrossel. E que, depois disso, me compre maça-do-amor e algodão-doce. Procuro um amor que goste de andar descalço pela areia. Que deite comigo numa praça e que fique olhando para o céu, brincando de adivinhar os desenhos formados pelas nuvens. Procuro um amor assim, simples, terno e aconchegante. Quero seu peito para me repousar e seus braços para embalar meus sonhos. Procuro um amor que me construa um chalé de madeira, tudo muito simples. Uma lareira para os dias de inverno e uma rede para as noites de lua cheia. Quero que o som das sirenes e buzinas deem lugar ao cantos dos pássaros e o choro das cigarras. Quero que os holofotes deem lugar ao brilho dos vaga-lumes. E que as avenidas deem lugar aos campos floridos por girassóis. Procuro um amor que goste de água doce, de banho de cachoeira e cheiro de terra molhada. Quero bailar por entre bolhas de sabão. Quero ir de encontro ao arco-iris. Dormir na relva e acordar com os cabelos molhados pelo orvalho da manhã. Procuro um amor assim; simples, sem excessos e luxos, ingênuo. Procuro....Procuro...e, de tanto procurar, temo que ele não mais virá.
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