quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Infância roubada.

Mais uma vez - não! Não agora. Está tudo tão lindo, tão cheio de cores e vida. Vá embora! Estou ordenando! Você já causou estrago demais. Será que não percebe que eu mereço ser feliz? Será que é egoísmo da minha parte querer desfrutar de algo tão bom? Você me roubou o que eu tinha de mais lindo - minha ingenuidade - isto não basta? Tirou de mim o meu melhor momento - minha infância - não está satisfeito? Você era o meu herói. Orgulhava-me de tudo em você. Fiz planos. Tinha sonhos. Me lembro muito bem. Era uma criança tão feliz. Uma felicidade gratuita, sabe? Dessas que, bastava minha mãe chegar com uma bandeja de iogurte para que eu me considerasse a menina mais sortuda desse mundo todo.  Olha! Será que você não enxerga o estrago que você fez em minha vida? Eu era apenas uma criança inocente. Tão inocente a ponto de pensar que "aquilo" era uma coisa natural._ Ah! Com todos devem ser assim. Engano meu. Você deixou de ser meu herói para se transformar no bicho-papão que me assustava nas noites escuras. Todos os sonhos de menina, todas as brincadeiras infantis, aquele brilho no olhar... Tudo se foi. Se foi, não como num passe de mágica, mas sim, como um prédio que desmorona trazendo dor e morte. Você arruinou a minha infância, destruiu todos os meus anseios, acabou com tudo que eu tinha da forma mais cruel possível. Consegue imaginar o tamanho da crueldade que você me fez? Não, né? Você dizia que eu gostava. Que eu era como você. Por tempos, acreditei nisso. Mas, hoje vejo que não. Não sou como você. Você me dá nojo, me embrulha o estômago. É perverso. Cruel. Desumano. Você me usou da forma mais escrota que se possa imaginar. Brincou com a minha fraqueza, com minha incorrigível carência.  Talvez, por isso não conseguia dizer - não. Por isso, cedia às suas chantagens. Eu realmente acreditava que "aquilo" era por amor. Que idiota que eu fui! Me odeio por isso! E, agora? Nesse momento - tão especial - mais uma vez, vem você querendo aniquilar com minha felicidade. Some! Some de uma vez por todas! Me deixa em paz! Será que é pedir muito? Não aguento mais esse tormento. Fiz da minha vida inteira uma eterna mentira, só por medo de perder quem eu amava. Mas, agora não. Não quero mentir! Me cansei! Quero ser livre. Livre para amar e gozar dos prazeres que minha parceira me proporciona. Livre para me entregar aos carinhos, aos beijos e aos desejos da carne. Hoje eu preciso viver. Preciso esquecer toda dor e mágoa que ainda reside em meu peito. Preciso passar uma borracha e apagar todos os malditos capítulos da minha medíocre vida que tive ao seu lado. E, digo: _Você vai sair do meu caminho. Nem que pra isso eu tenha que cometer um assassinato! 

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