segunda-feira, 14 de maio de 2012

Transcender

Fazia uma noite bastante quente. Dessas que a gente pensa em colocar um balde gelo sobre os lençóis pra ver se, pelo menos alguns minutos, nosso corpo para de transpirar. Resolvi sair por aí. Caminhar um pouco. Quem sabe, a brisa daquela noite quente de verão, não me faria esquecer você. Fui andando sem rumo. E, ao mesmo tempo, com rumo certo. Meus passos me levavam até você. Ouvia a nossa música - Glory box (Portishead) - Ah, como era gostoso caminhar e lembrar dos nossos momentos! Nossos corpos entrelaçados entre gozos e sussurros. E quanto mais eu caminhava, mais minha pele transpirava. E quanto mais eu pensava, mais excitada eu ficava. Já era possível sentir o cheiro do nosso sexo. Minha calcinha já se encontrava bastante molhada. Continuei. Cheguei até sua casa. Não sei por qual motivo, a porta se encontrava entreaberta. Talvez você tenha pressentido que iria te visitar aquela noite. Fui subindo as escadas bem devagar. A cada degrau minha ansiedade só aumentava. Podia sentir o suor escorrendo pelas minhas costas. Minha pele arrepiava. Meu corpo clamava por teus beijos. Cheguei em seu quarto. Abri a porta vagarosamente. Que visão esplendorosa! A única luz que estrava era o trepidar de uma vela vermelha. Ali estava você - NUA - completamente nua. A pele alva. Branca como a neve. Cabelos soltos. Bem negros. Perdi a noção do tempo em que fiquei ali te observando. Olhava cada detalhe, cada curva. Seus seios enrijecidos. Tudo era tão belo e puro. Uma ninfeta. Virgem e casta. Cheguei mais perto. Toquei sua pele, ela se arrepiou. Os seios ficavam cada vez mais pontiagudos. Beijei seu colo. Você deu sinais de que acordaria. Mas voltou a dormir, profundamente. A esse momento, já não podia conter os estímulos do meu corpo. A minha única vontade naquele instante era sentir o seu líquido, quente e delicioso. Minhas mãos escorregaram por entre suas pernas. Meus dedos se envolveram naquela lubrificação. Penetrei. Levei meus dedos até minha boca. Gosto de néctar. Agridoce. Estava sedenta por seu gosto. Me ajoelhei e me pus a te sugar. Minha língua deslizava pelos seus orifícios. Aquele gosto era viciante. Movimentos intercalados. Indo e vindo. Subindo e descendo. A cada minuto seu clitóris se tornava mais rígido. Já não sei se dormia ou se fingia dormir. Isso não importava. Queria me deliciar. Abusar de você. Tirar sua castidade. E assim, continuei. Língua, saliva, gozo. Prazer, excitação, tara. Penetrei mais uma vez, não com os dedos, mas com boca e tudo.Senti suas pernas se contorcerem, seu corpo estremecer. O silêncio do quarto foi interrompido por um gemido ensurdecedor. Seu gosto ficou mais intenso. Você me agarrou com toda força. Era o ápice daquela noite. Um gozo insano e surreal. Enlouquecedor. E foi nesse instante que as luzes se acenderam e só pude sentir o doce cheiro de sexo findo do quarto ao lado.

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